sábado, 31 de agosto de 2013

À Villeurbanne

Villeurbanne. Não foi fácil, mas encontrei. Por vezes há circunstâncias, acasos, que vêm por bem e encontrar esta casa foi um deles.
A disposição muda completamente, assim como a confiança e a paz interior. Organizei este espaço à minha maneira, e fiz uma limpeza da qual a minha mãe se orgulharia. É uma experiência totalmente nova: a relação com o senhorio, com os colocataires, com as tarefas domésticas diárias...
Dois colegas de casa, um tailandês e um espanhol-peruano. O mais incrível foi empatia que criei com o segundo. Em minutos estavamos a jantar e a falar de tudo e mais alguma coisa, depois ja tinha um convite para sair à noite. De resto conheci, ao sair com ele, pessoas de todo o Mundo: Venezuela, EUA, Coreia do Sul, Brasil (pude falar português, finalmente), Alemanha e Japão.
O meu outro colega de casa, embora diferente, era uma excelente pessoa que se predispôs logo a ajudar-me com tudo e imprimiu-me, sem eu pedir, todos os documentos necessários para a CAF (a tal ajuda do Estado), e ajudou-me em tantas outras coisas. Estou numa zona calma e simpática, perto do centro mas suficientemente deslocada para relaxar. E julgo que não podia pedir mais. Se há cidade boa para se estar é aqui, pois não é enorme como Paris e não tem um stress diário tão acelerado, e permite ter uma relação mais familiar com a própria cidade e com as pessoas, uma vez que a distância se supera facilmente.
Voilá:






quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Chez moi

Vinte e sete de Agosto. O alojamento para estudantes em França é um grande problema. A própria forma de encarar o arrendamento é diferente, parece um outro conceito. No meio disto, o Estado francês suporta a CAF, que é um apoio financeiro aos arrendatários (inquilinos).
Estava, no que toca ao alojamento, impregnado de pessimismo. A procura é muita e a oferta é difícil de descrever. Internet, associações, classificados, post'its nas Universidades... Há vários meios. Tenho de confessar: correu melhor do que eu pensava.












À terceira visita assentei em Villeurbanne, na zona metropolitana da cidade. As duas primeiras visitas foram um bocado surreais, mas a segunda especialmente. Cours de la Libertè era a zona. Pensava que me ia encontrar com uma senhora de sessenta e poucos anos quando, do lado de dentro da casa, ao abrir de uma porta com uns quatro metros, aparece um senhor com oitenta anos, de fato e gravata, do qual não esqueço a simpatia. Fiquei de lhe ligar para dizer se queria a casa mas, que me desculpe, a vida está difícil para todos e primeiro que ele me ouvisse, eu ficaria sem saldo.
Lembrava a casa do Conde Drácula, apesar de nunca ter visto, é assim que imagino. Uns cinco metros de altura, quadro renascentistas, candelabros do século dezanove. Tinha um ambiente sinistro, mas ao mesmo tempo até acolhedor. Talvez se estivessemos em mil novecentos e trinta eu tivesse ficado.
Dia vinte e sete, encontro a minha casa.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Il faut orienter!

Vinte e cinco, vinte e seis de Agosto. Os dias mais cruciais. São aqueles dias em que sentimos que ou a nossa bússola fica, em definitivo, bem orientada, ou a nossa vida torna-se um astrolábio: podemos orientar-nos mas, sinceramente, no meio de tal confusão, é quase impossível.
O CISL, onde fiquei: um local simpático, simples. Esperava um sorriso do recepcionista que, na verdade, não aconteceu. A vida continua. O jantar, esse, ficou-se por umas uvas, bolachas e água, ou não fosse Domingo.










No dia seguinte: volta pela cidade. Há que criar o hábito de ouvir francês a toda a hora, e não é fácil. Até as discussões deles parecem civilizadas. As vezes sinto falta de ouvir caralho, merda, ou puta que pariu. E esse é outro vocabulário que é prioritário aprender quando estamos noutro país.
Telemóvel: fui tentar arranjar um número. A um Domingo, ao que parece, apenas os árabes trabalham. Lá fui eu. Sete euros e meio por um cartão. Ok. Ups, não funciona. Ora, quando vamos a estas lojas um pouco outsiders ficamos sempre de perna atrás...
Qual é a minha surpresa quando, ao fim de alguma insistência, consigo que ele me devolva o dinheiro, acordando que iria a um amigo dele, da loja ao lado, desbloquear o telefone e comprar lá o cartão. Pois, ok amigo, espera por essa. Qual não foi o meu espanto quando ele me dá dez euros. Sim, desta não estava à espera: olho para esquerda, olho para a direita, e toca a andar.

Allons-nous-en

Vinte e cinco de Agosto. Viagem para o desconhecido, quatro volumes de bagagem. Não parti sem levar uma grande bagagem de receio, é verdade, mas esse foi abafado pela curiosidade e pela determinação.
Vinte e quatro horas de viagem podiam ter sido piores, agora sinto que podia dar a volta ao mundo e que não me cansaria na viagem.
Fiz o meu primeiro amigo francês, depois de uma tentativa um pouco falhada com outro rapaz cujas palavras lhe saíam muito a custo.
Passando pelas brasas aqui e ali e depois de tentar ver o filme que passava no autocarro, cuja versão original era inglesa mas estava dobrado em castelhano e com legendas em francês, lá consegui dormir uns trinta minutos seguidos.
Chegados a Suco, em Espanha, rumámos a Lyon. 11h40 quando chegámos, malas para fora. Agora desenrrasca-te, não tens apoio, nada. Pas de soutien.

Au revoir!