quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Cent jours

Vinte e três de Outubro de dois mil e treze. Começa hoje, precisamente, a contagem decrescente dos cem dias que faltam para regressar a Portugal. Aparentemente faltará muito, mas concretamente não sei. É uma miscelânea de sentimentos, de uma nostalgia que se reparte para os dois lados. E uma saudade que passará para onde agora reside a presença. É um sentimento normal, eu creio. Não me posso limitar a pensar que devo aproveitar agora porque depois vou ter saudades. Metade da frase está certa. Devo aproveitar agora. Mas pelo simples facto de aproveitar. Não porque depois terei saudades. As saudades não se avaliam em termos absolutos, mas sim relativos. Não é como um crédito ou um talão de desconto que temos de utilizar naquele dia porque senão caduca.
É hoje também o aniversário da morte do poeta francês Théophile Gautier. Assim, será por bem presentear com um poema seu, e deixar que os cem dias se vivam sem angústias.

Far-niente

Quand je n’ai rien à faire, et qu’à peine un nuage
Dans les champs bleus du ciel, flocon de laine, nage,
J’aime à m’écouter vivre, et, libre de soucis,
Loin des chemins poudreux, à demeurer assis
Sur un moelleux tapis de fougère et de mousse,
Au bord des bois touffus où la chaleur s’émousse.


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