Penso, no entanto, que assim a vida não seria vida. Retive uma frase que o meu pai me disse quando um dia, pouco depois de eu chegar a Lyon, lhe liguei a desabafar. "A vida não é só facilidades", disse ele. Penso nesta frase todos os dias, sem excepção, porque todos os dias são um desafio. Foi uma frase que fixei e que ajudou a levantar a cabeça. Não posso ver-me constantemente no conforto e na previsibilidade, na conformação até. Este objectivo, pelo menos, penso já ter atingido, ou pelo menos vou atingindo cada dia.
Percebemos a insignificância das nossas problematizações que, no entanto, para nós não são pequenas. Cada pessoa existe na medida da sua própria dimensão, e isto serve para o bem e para o mal.
A vida sabe bem melhor quando temos problemas e os resolvemos, quando temos objectivos e os atingimos, quando temos sonhos que perseguimos, não interessando se os realizamos.
Nem toda a gente tem um pai ou uma mãe a quem ligar, ou uma avó que telefona vinte e três horas por dia, uma tia que faz skype connosco todas as semanas, uma prima pela qual comecei a escrever este blog, uma irmã que sabemos estar a pensar em nós constantemente, ou uma namorada com a qual nos deitamos todos os dias dentro do seu coração . Isto, assim, retira de qualquer um o conceito de problema que alguém possa ter. É uma complexidade, e uma pequena pedra no sapato, no máximo.
O tempo aqui vai passando, com mais ou menos chuva, mas com a constante mais-valia de conhecer as pessoas que aqui conheci e que espero vir a conhecer, das experiências que vivi, vivo e espero viver.
O tempo vai passando, assim, da melhor forma e eu deito-me, todos os dias, feliz como este por do sol que tenho o privilégio de vislumbrar cada tarde:
Que bonito texto, meu querido João.
ResponderEliminarDe facto no relativizar das coisas menos boas está o nosso ganho! Ainda bem que também consegues "ver" isso.
Infelizmente há realidades muito, muito desafiantes. Muito mais do que aquelas que para nós são autênticos desafios. Olhar para os outros ajuda-nos a olhar melhor para nós mesmos... E olhar para a frente e pensar "O que é que daqui a 2 anos eu pensarei sobre isto, que agora é para mim um problema?". E daqui a 5? E daqui a 10?
Se precisares, de alguma coisa a "prima pela qual comecei a escrever este blog" está deste lado para te ler e ouvir! E espero que em breve te ver, em Lyon! - se o trabalho ajudar.
Beijo grande!
Olá meu amor!
ResponderEliminarTodos os dias procuro em vão textos novos no teu blog.São tão expressivos e tão bem escritos, que depois de os ler fico com vontade de folhear a pagina seguinte...Mas não há mais e sei que tenho de esperar pelo fim-de-semana seguinte, qual novela viciante.
Começo a descontar os dias que faltam para te poder abraçar e apertar de novo, que há-de acontecer numa noite fria, que será noite de paz e que aquecerá bem forte os nossos corações.
Au revoir
Ainda bem que gostaram e que comentaram, porque só assim é que sei quem vai seguindo o blog! Os textos virão naturalmente, porque só assim serão textos vindos com sinceridade. Enquanto não escrevo um livro, vais folheando as páginas cada fim-de-semana, o que torna a história mais interessante...
ResponderEliminarBeijinhos às duas!
Se eu pudesse morava numa dessas janelinhas e todos os dias ias à noite comer um caldinho para te reconfortar...Mas, como bom Ratatouille que és, as tuas tartines não serão menos reconfortantes, pelo menos gastronomicamente.
ResponderEliminarJá agora não deixes de experimentar http://www.recette-ratatouille.com/ingredient.html
por enquanto o conforto vem com algum queijo, bom vinho e amizade. o reconforto, esse, virá depois!
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